Então o véu que estava sobre meus olhos finalmente caiu. E eu percebi que havia magoado uma pessoa que não merecia. E ouvi a voz da minha mãe ecoando na minha mente: "Você fala demais quando tá com raiva!". Depois, a da minha irmã: "Depois tu pede desculpa, tudo bem pra ti, mas o estrago já tá feito!". Aí eu entendi. Eu estava errada, parece que aquela vozinha que me irritava sussurrando há meses no meu ouvido, afinal, estava certa! Eu me voltei para as coisas erradas, eu olhei tanto adiante, que esbarrei em quem estava perto de mim. Doeu ver a decepção nos seus olhos, e doeu mais ainda o fato de eu saber que eu fiz por merecer. Eu agi do mesmo modo que agiam pessoas que eu critiquei. Talvez o problema não tenha sido o que eu falei, mas a maneira que eu falei. Uma boa conversa resolveria o problema, a sinceridade continuaria reinando e nós estaríamos fortalecidas agora. Mas não há mais tempo. Enfim!... Só posso dizer que me arrependo. Que, de alguma forma, isso foi útil, pois me abriu os olhos. Que eu chorei por mim, por você e por eles e elas como eu nunca havia chorado. Não caiu uma lágrima, eu apenas derreti por dentro. No bom sentido, óbvio... E digo mais: eu respeito limites, e vou continuar a respeitá-los. Não vou invadir a área de ninguém, talvez até me recolha um tempo. Não é uma mudança repentina, é algo que já vem acontecendo há tempos, mas só agora, talvez, as pessoas consigam notar. A Mariana antiga tenta voltar há tempos, e foi preciso um tombo feio pra ela ver que dói. Eu queria que você entendesse que não foi por mal. Não vou deixar pra lá, ao contrário, vou deixar à vista, bem diante dos meus olhos, vou aprender com os meus erros. Se algum dia, você for capaz de me dar uma outra chance, ótimo, vou aceitá-la. Se não for, também vou aceitar, é a vida – eu disse que sei respeitar limites. Eu só queria que você soubesse que, mesmo magoada, você me ajudou – eu vi o que eu não via. Mea culpa. Desculpa. Amém.